O material que recebi do Football Club Riograndense, de Rio Grande, tinha fotografias do estádio, referências dos uniformes, imagens de Nico e uma narração de rádio. A partir desse conjunto, criei um curta que acompanha a preparação para a partida, a jogada e a comemoração de um dos ídolos da história do clube.

Nico, conhecido como o Bombardeador, foi artilheiro do Campeonato Gaúcho. No áudio recebido, Paulo Corrêa, com a participação de Sérgio Satt, narra um gol dele contra o Guarany-Atlântico, de Santa Maria. Quando a gravação começa, a jogada já está acontecendo. O desafio era construir um filme em torno desse trecho.

O Gol do Nico — filme completo

Comecei o filme antes da jogada para apresentar Nico a quem ainda não conhecia sua história. Queria que o público acompanhasse sua preparação no vestiário e a entrada em campo antes de vê-lo marcar o gol.

O estádio também precisava aparecer sendo usado. Alguém cuidando da rede, torcedores procurando onde sentar, uma conversa na arquibancada. Esses pequenos acontecimentos ajudavam a apresentar o lugar enquanto a partida ainda não começava. São situações imaginadas para o filme, apoiadas nas referências disponíveis; as fotografias não documentavam cada uma dessas ações.

Dois torcedores conversam na arquibancada, com o campo e o pavilhão ao fundo na reconstrução do filme.
Uma conversa na arquibancada, antes da partida. Cena criada para o filme.

Queria filmar como alguém que estivesse ali, procurando espaço entre os torcedores e acompanhando os jogadores de perto. Durante a comemoração, a câmera corre com Nico e precisa se ajustar para não perdê-lo de vista.

Isso influenciou bastante a seleção das cenas. Algumas imagens bonitas isoladamente acabavam parecendo posadas quando entravam na montagem. Um jogador que interrompia a corrida para comemorar, por exemplo, quebrava o impulso que vinha do gol. Era preciso olhar o movimento inteiro e como ele encontrava o plano seguinte.

Para variar os ângulos sem perder a organização do estádio, montei uma base tridimensional no Blender, orientada pelas fotografias. Essa estrutura permitia escolher onde colocar a câmera e conferir a posição do pavilhão, das arquibancadas e dos gols. Seus enquadramentos, junto com as referências históricas, guiaram a criação das imagens e animações com IA.

Modelo básico no Blender mostrando o acesso ao campo sob a arquibancada.
Base tridimensional
Cena do filme mostrando o acesso ao campo sob a arquibancada ocupada por torcedores.
Quadro do filme

O acesso ao campo no modelo 3D e na cena final. A base orientou a posição da câmera e a organização do espaço.

O som também ajudou a ligar esses espaços. No vestiário, a torcida chega abafada. Ao entrar em campo, ela ganha presença. Os lances anteriores ao gol dão lugar aos passos, às disputas e ao contato com a bola, preparando a entrada da gravação original.

Para a abertura, criamos uma narração com IA que apresenta o ambiente antes da partida, identificada como recriação. Já no lance de Nico, ouvimos o registro original. O filme inclui cenas e falas dramatizadas. As imagens produzidas são uma interpretação visual, não uma filmagem histórica recuperada.

Voltei muitas vezes à gravação durante a montagem. Ela orientava a duração dos movimentos e a entrada dos cortes. Depois do gol, deixei a comemoração continuar enquanto Nico corria, os companheiros se aproximavam e a torcida festejava na arquibancada. Queria acompanhar também o que aquele lance provocava ao redor dele.

Gostei muito de fazer esse projeto. Começamos com poucas referências e uma narração que já entrava em cima da jogada, e aos poucos foi possível construir toda essa sequência ao redor dela. Ver o estádio funcionando em diferentes ângulos e as cenas se encontrando na montagem foi uma das partes mais gratificantes. Saber que o clube gostou do resultado também foi muito importante. Terminei o filme com vontade de explorar outras histórias assim, levando adiante o que descobri fazendo essa.