Eu já vinha explorando a memória de Pelotas no audiovisual quando decidi construir Pelotas 1935, uma experiência interativa que recria a Praça Coronel Pedro Osório e seu entorno, no centro da cidade gaúcha. O projeto funciona no navegador e permite que as pessoas explorem o ambiente por conta própria.
A mudança de formato não começou como um afastamento do audiovisual. Começou como a vontade de experimentar outra maneira de apresentar um lugar. A pesquisa histórica, a direção visual e as escolhas sobre o que mostrar continuaram presentes, mas passaram a fazer parte de uma construção tridimensional.
O visitante também escolhe para onde olhar
Num vídeo, eu posso construir uma sequência de enquadramentos e definir quanto tempo cada imagem permanece. Numa experiência interativa, uma parte dessa escolha fica com quem visita. A pessoa pode observar a praça, se aproximar dos marcos e conhecer suas histórias no próprio ritmo.
Isso não torna a direção visual menos importante. Muda o lugar em que ela atua: além de pensar numa imagem, é preciso pensar no ambiente que permite encontrar outras imagens. Foi nesse encontro entre criação visual e exploração que o projeto ganhou forma.

Construir, comparar e voltar a escolher
O trabalho reuniu modelagem no Blender, programação em Three.js e ferramentas de inteligência artificial na pesquisa e no desenvolvimento. Eu conduzia as decisões, avaliava os resultados e indicava o que precisava mudar.
Essa forma de trabalhar não se resolveu numa única geração de imagem. Foram muitas rodadas de comparação e correção, em que uma nova referência podia alterar o que já estava construído. O ambiente precisava fazer sentido como lugar e também funcionar para quem chegasse pelo navegador.
Uma aproximação com o cinema
A experiência abriu uma frente que quero continuar desenvolvendo, juntando minha trajetória na direção audiovisual à construção de ambientes tridimensionais. Já estou experimentando outras ferramentas e formas de trabalhar nesses espaços, inclusive pelas possibilidades que oferecem para o cinema.
Poder construir um cenário, trabalhar a iluminação e escolher diferentes câmeras dentro dele traz possibilidades muito interessantes para contar histórias.
Isso ainda é um campo de experimentação. Prefiro amadurecer os próximos projetos antes de anunciar formatos ou datas. Por enquanto, Pelotas 1935 é uma experiência publicada que permite conhecer essa aproximação entre pesquisa, direção e interação.
Visite Pelotas 1935 ou leia a apresentação completa do projeto.


